sábado, 28 de abril de 2012

O ARTISTA DAS RUAS...


O ARTISTA DAS RUAS

Gente do Brasil inteiro. Sacolas. Gritos. Carros. Um verdadeiro inferno. Um verdadeiro paraíso. De longe, você escuta um som, uma melodia, uma doce música. Você para, tenta descobrir de que lado vem, segue em direção e descobre. Sentado em cima de um papelão e de pernas cruzadas, Rodolfo Rondinelli Ceregatti, 30 anos, faz o que mais ama em sua vida, ser músico.
Natural de Mogi-Guaçu, interior de São Paulo, Rodolfo diz que a relação dele com a música é fechada em sua loucura, por isso não concluiu o curso de música que fazia na UNESP – Universidade Estadual Paulista Julio de Mesquita Filho. “Houve um destempero emocional, não era maduro o suficiente para terminar o curso, pois eu não estava conseguindo conciliar o que eu buscava e estava tentando fazer”, diz o músico.
Seu gosto pela música vem da alma. Mais jovem, assistiu aos filmes Dança Com Lobos e Amadeus e a trilha sonora fez com que despertasse algo. Mas quando criança só pensava em jogar futebol. A ajuda da mãe foi fundamental para seguir o seu sonho. O pouco conhecimento que tinha,  repassou para seu filho. E com 12 anos já sabia tocar piano. Suas inspirações partem de Tom Jobim, João Gilberto, músicas clássicas, Villa Lobos e Hermeto Pascoal. Não gosta de Keeny G. Nas ruas ele toca de axé, pagode e samba até clássicos da MPB e Mozart. “Beethovem e Michel Teló, para mim é a mesma coisa”, comentou rindo.
Rodolfo vem de uma família bem estruturada. Os pais são aposentados, a irmã é delegada federal e seu irmão médico. Nunca houve conflitos em relação a suas escolhas. Sempre o apoiaram. Em relação à sociedade, não esta preocupado com o que vão pensar. “Faço o que gosto sou feliz, desde que eu não seja um elemento negativo pra sociedade”, salienta.
Funcionário público, Ceregatti pediu demissão. Era professor de piano no Centro Cultural da Cidade. “Mas mendigo ganha mais do que professor. Dia 1º de maio, não serei mais trabalhador e sim um pedinte”, comenta.
Seu maior prazer é tocar nas ruas e praças. Fazer música para um público bem diferenciado. Rodolfo toca sanfona e faz parcerias com outros músicos como Ediy Boy do Pandeiro e Birdanga Nenê. Eles se apresentam em lugares como a Praça da Sé e nos trens. Não pretende tocar em nenhuma orquestra, nem que seja como convidado, toca apenas por uma moeda. E não pretende gastar a sola de sapato indo a esses lugares.
A burocracia na cidade de São Paulo, fez com que proibissem uma das formas mais lindas e nobres de expressão, a música. Mas o atual prefeito, Gilberto Kassab, mesmo tendo proibido, deu a concessão para os artistas de rua poderem se apresentar.
O saxofonista é um jovem muito centrado em tudo o que fala. Um apaixonado pela vida, por Deus. Não tem grandes ambições. A única coisa que almeja é ser reconhecido como um bom profissional. Vê na música a forma mais linda e mais profunda de levar o sentimento para as pessoas. Transmitir algo que possa tocar na alma de cada ser humano. 
A cada passo dado o som do saxofone vai ficando para trás, e a rua 25 de Março nunca será a mesma para muitos que  por lá passaram e ouviram.






2 comentários:

  1. Cara, ótimo texto! São Paulo é isso mesmo, uma terra de loucos, onde tudo pode acontecer..E há sempre uma bela história de onde menos se imagina..

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  2. Muito bom o texto bem escrito, se tem futuro charles

    é realmente ser muito burro tirar das ruas da cidade de são paulo a unica coisa que alegra essa cidade cinza, e ainda punir esses artistas como se fossem criminosos.

    Comenta lá no meu também, da uma liga na minha história: A Saga de um Herói

    http://atordoadojr.blogspot.com.br/2012/02/saga-de-um-heroi.html

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