O ARTISTA DAS RUAS
Gente do Brasil inteiro.
Sacolas. Gritos. Carros. Um verdadeiro inferno. Um verdadeiro paraíso. De
longe, você escuta um som, uma melodia, uma doce música. Você para, tenta
descobrir de que lado vem, segue em direção e descobre. Sentado em cima de um
papelão e de pernas cruzadas, Rodolfo Rondinelli Ceregatti, 30 anos, faz o que
mais ama em sua vida, ser músico.
Natural de Mogi-Guaçu,
interior de São Paulo, Rodolfo diz que a relação dele com a música é fechada em
sua loucura, por isso não concluiu o curso de música que fazia na UNESP –
Universidade Estadual Paulista Julio de Mesquita Filho. “Houve um destempero
emocional, não era maduro o suficiente para terminar o curso, pois eu não
estava conseguindo conciliar o que eu buscava e estava tentando fazer”, diz o
músico.
Seu gosto pela música vem da
alma. Mais jovem, assistiu aos filmes Dança Com Lobos e Amadeus e a trilha
sonora fez com que despertasse algo. Mas quando criança só pensava em jogar
futebol. A ajuda da mãe foi fundamental para seguir o seu sonho. O pouco
conhecimento que tinha, repassou para
seu filho. E com 12 anos já sabia tocar piano. Suas inspirações partem de Tom
Jobim, João Gilberto, músicas clássicas, Villa Lobos e Hermeto Pascoal. Não
gosta de Keeny G. Nas ruas ele toca de axé, pagode e samba até clássicos da MPB
e Mozart. “Beethovem e Michel Teló, para mim é a mesma coisa”, comentou rindo.
Rodolfo vem de uma família
bem estruturada. Os pais são aposentados, a irmã é delegada federal e seu
irmão médico. Nunca houve conflitos em relação a suas escolhas. Sempre o
apoiaram. Em relação à sociedade, não esta preocupado com o que vão pensar.
“Faço o que gosto sou feliz, desde que eu não seja um elemento negativo pra
sociedade”, salienta.
Funcionário público,
Ceregatti pediu demissão. Era professor de piano no Centro Cultural da Cidade.
“Mas mendigo ganha mais do que professor. Dia 1º de maio, não serei mais
trabalhador e sim um pedinte”, comenta.
Seu maior prazer é tocar nas
ruas e praças. Fazer música para um público bem diferenciado. Rodolfo toca
sanfona e faz parcerias com outros músicos como Ediy Boy do Pandeiro e Birdanga Nenê. Eles se
apresentam em lugares como a Praça da Sé e nos trens. Não pretende tocar em
nenhuma orquestra, nem que seja como convidado, toca apenas por uma
moeda. E não pretende gastar a sola de sapato indo a esses lugares.
A burocracia na cidade de
São Paulo, fez com que proibissem uma das formas mais lindas e nobres de
expressão, a música. Mas o atual prefeito, Gilberto Kassab, mesmo tendo
proibido, deu a concessão para os artistas de rua poderem se apresentar.
O saxofonista é um jovem
muito centrado em tudo o que fala. Um apaixonado pela vida, por Deus. Não tem
grandes ambições. A única coisa que almeja é ser reconhecido como um bom
profissional. Vê na música a forma mais linda e mais profunda de levar o
sentimento para as pessoas. Transmitir algo que possa tocar na alma de cada ser
humano.
A cada passo dado o som do
saxofone vai ficando para trás, e a rua 25 de Março nunca será a mesma para
muitos que por lá passaram e ouviram.

